Taipei


DADOS E INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

País que Pertence: Taiwan (República da China)
Data de Fundação: começo do século XVIII
População: 2,63 milhões (2007)
Área (em km²): 271,77
Densidade Demográfica (habitantes por km²): 9.632
Administração: dividida em 12 distritos urbanos
Principais Atividades Econômicas: finanças, serviços, tecnologia e construção civil.
Temperatura média anual: 24 °C
Rio Principal: Rio Tamshui
Clima: subtropical úmido
Índice Pluviométrico anual: 2.130 mm

PONTOS TURÍSTICOS E CULTURAIS

- Monumento a Chiang Kai-shek
- Monumento a Sun Yat-sen
- Museu do Palácio Nacional
- Templo Longshan
- Mercado Noturno de Shilin
- Rio Tamshui
- Parque Nacional Yan Ming Shan
- Taipei 101 - maior edifício do mundo

 

OUTRAS INFORMAÇÕES

- Outras Informações: Site Oficial da Cidade

TAIPÉ - Com cinco mil templos e muitos mercados de rua que parecem ser sempre o cenário de algum festival, Taiwan é surpreendente. Talvez porque a ilha dificilmente entre na lista de prioridades de um turista brasileiro em viagem pela Ásia. Mas, nos últimos anos, as relações mais próximas com a China reduziram as tensões no Estreito de Taiwan, e estão tornando o turismo mais popular na região. Belas paisagens, uma cultura rica, um povo gentil e a combinação de tradição com desenvolvimento econômico ajudam a fazer do lugar um segredo num continente cada vez mais aberto a quem vem de longe.

Grifes, dim sum e livros 24 horas

Taipé, a capital de Taiwan, é uma cidade industrializada e mais internacional do que imagina a maioria das pessoas. As origens chinesas são onipresentes, mas prédios modernos, shopping centers por toda a parte, esculturas contemporâneas ao ar livre e hotéis de grandes redes dão à metrópole uma cara ocidentalizada. Seu símbolo maior, que também lembra a ambição da ilha em ser reconhecida pelo mundo, é a torre Taipei 101, segundo prédio mais alto do planeta (perdeu o posto de primeiro lugar para o Burj Khalifa, de Dubai, em 2010).

Taipé não tem a imponência de Pequim, nem a sofisticação de Tóquio, mas é uma cidade fácil e simpática, que pode ser explorada sem dores de cabeça, como se fosse uma velha conhecida que atravessa uma fase boa da vida e está cheia de novidades para contar. A ilha de Taiwan, com 23 milhões de habitantes, já foi chamada de Formosa, nome dado pelos descobridores portugueses do século XVI, impressionados com a beleza da costa. Foi parte do império japonês até a derrota nipônica na Segunda Guerra e, depois disso, virou o local de exílio dos militares chineses nacionalistas, vencidos pelos comunistas em 1949, após o fim da guerra civil que terminou com a fundação da República Popular da China. Todas essas raízes se misturam e, para muitos, Taiwan — vista pelo governo chinês como uma província rebelde — só começou a encontrar sua identidade mais recentemente, com a conquista da estabilidade econômica e política nos anos 1990.

Para entender a alma de Taipé, talvez seja interessante começar pelos templos. Coloridíssimos e envoltos na fumaça de incensos, eles não são apenas locais de oração. Boa parte da vida da comunidade gira em torno deles. Taiwan tem cerca de cinco mil templos, budistas, confucionistas e taoístas. Na capital, um dos mais belos e procurados é o Longshan, uma construção de 1738, que já foi destruída várias vezes por terremotos e incêndios, além de um bombardeio na Segunda Guerra. Mas continua de pé, exemplo da arquitetura clássica e da fé de Taiwan. Desde as 6h o lugar está cheio de fiéis, que levam alimentos e flores para agradar aos espíritos. Turistas se misturam entre a multidão, aproveitando uma chance única de observar a religiosidade local.

Um pouco mais afastado do centro, o Templo de Confúcio é bem mais vazio, ideal para quem estiver realmente buscando um refúgio. O complexo de madeira, com colunas coloridas ricamente esculpidas, também abriga exposições multimídias que explicam as doutrinas do pensador chinês, nascido no século VI a.C.. Em Pequim, somente após a abertura econômica deixou de ser crime falar em confucionismo, mas em Taiwan o filósofo é reverenciado como o maior sábio de todos os tempos.

Os cantos que saem dos templos e os rituais antigos ainda presentes nas casas de chá formam um contraste fascinante com a modernidade do Taipei 101, o arranha-céu que pode ser visto de qualquer parte da cidade — o 101 é o número de andares da construção, divididos por 508 metros de altura. O meio quilômetro da torre, erguida sobre um centro comercial sofisticado, por onde se espalham as principais grifes de alto luxo ocidentais, já serviu de cenário para vários filmes de aventura e brilha nas programações de TV sobre as festas de réveillon pelo mundo: a queima de fogos ali é um dos grandes espetáculos da Ásia na virada do ano.

Feito para suportar tufões e terremotos, comuns nesse ponto do Pacífico, o prédio tem um observatório no 99 andar que oferece uma vista impressionante da metrópole. À noite, a torre muda de cor, que varia de acordo com o dia da semana. No final de março, a grife Dior, que promovia um evento na capital, projetou seu logotipo no topo da construção, reproduzindo sua sombra sobre a cidade. Taipé é um outdoor disputado pelas marcas que miram o alto poder aquisitivo de parte da população.

Monumentos históricos também marcam a paisagem da cidade. O general Chiang Kai-shek, líder do Partido Nacionalista (Kuomitang) que governou Taiwan por 25 anos, e o revolucionário Sun Yat-sen, que ajudou a derrubar o regime imperial chinês, são homenageados com imensos memoriais, populares entre os visitantes da China continental. As construções, que lembram as linhas da arquitetura grandiosa (e exagerada) de Pequim, são cercadas de belos e bem cuidados parques.

Shoppings e lojas de departamento parecem ser uma obsessão nacional, mas talvez seja bobagem perder tempo percorrendo vitrines que poderiam estar em qualquer lugar do mundo, das grandes redes populares de moda à exclusividade das butiques Prada. O mais indicado é esperar o dia escurecer e escolher um dos muitos mercados de rua noturnos, divertidíssimos em meio à sua confusão de cheiros, música e produtos empilhados. A comida, no entanto, não é para qualquer estômago. O tofu fermentado, por exemplo, adorado pelos taiwaneses, é intragável, e o odor de gordura de porco fica entranhado nos cabelos. Mas, mesmo assim, vale a pena escolher pelo menos um desses mercados para observar a multidão, que está ali para comer e vender bugigangas. Dois dos mercados mais famosos são o Keelung e o Shihlin, imensos e tumultuados, porém autênticos. Pelo menos por enquanto.

Saiu com fome e zonzo demais para dormir? O dim sum mais famoso de Taiwan é vendido na rede de restaurantes Din Tai Fung, que atrai críticos de gastronomia do mundo todo, interessados em desvendar o segredo de seus bolinhos cozidos no vapor. Suas lojas têm sempre filas na porta, mas não desista: o dim sum de trufas e o de pasta de gergelim valem qualquer sacrifício. Depois disso, se o sono ainda não tiver se manifestado, a livraria Eslite, uma das maiores do mundo, fica aberta 24 horas. São vários andares dedicados a todos os tipos de livros, com imensas seções de publicações em inglês. Já não são muitas as cidades do mundo que podem se dar a esse luxo. Mais um ponto para Taipé.

Repolho de jade torna o Museu Nacional de Taiwan inesquecível

Aindústria do turismo em Taiwan está passando por uma revolução. Desde 1949, os chineses de Taiwan eram proibidos de entrar na China continental e vice-versa. Os dois lados inimigos do estreito não deveriam ter nenhum tipo de ligação, mas a proibição vem sendo derrubada aos poucos desde 2008, quando, pela primeira vez, turistas chineses saídos de cidades como Pequim e Xangai puderam visitar a ilha. Em 2011, 1,7 milhão de chineses passearam por Taiwan, a maioria em excursões. Mais recentemente, as visitas individuais também foram liberadas, e mês passado, a cota de entrada foi ampliada para mil pessoas por dia. A invasão chinesa está mudando a rotina dos taiwaneses.

Em todos os pontos turísticos de Taipé, é possível avistar de longe as filas quilométricas de ônibus que transportam os visitantes do continente. O tumulto, a princípio, pode parecer incômodo, mas as vantagens são muitas. Os turistas chineses chegam dispostos a gastar, invadindo lojas que vendem produtos nacionais famosos, como o bolo de abacaxi oferecido em lindas caixinhas ornamentadas, mas também peças a preço de ouro, como as sonhadas bolsas de grifes internacionais que podem sair por mais de US$ 5 mil. O fluxo ajuda a satisfazer a ambição da "nova" Taiwan: mostrar que a ilha não é mais apenas um lugar de produtos baratos para exportação, mas um estado independente, que se sofisticou sem esquecer suas raízes.

No National Palace Museum, uma das principais atrações de Taipé, o hall de entrada parece ser a sede de algum tipo de congresso. Centenas de chineses seguem seus guias para ver aquilo que, na China, não foi tão bem preservado: antiguidades. O museu tem a maior coleção de arte chinesa do mundo, com mais de 600 mil peças, parte delas vindas dos palácios imperiais chineses. O museu original ficava na lendária Cidade Proibida, em Pequim.

O acervo começou a ser retirado de lá na década de 1930, por ordem de Chiang Kai-shek, que queria proteger as riquezas dos invasores japoneses. Em 1948, quando a China já estava mergulhada numa guerra civil, ele ordenou o envio de todas as peças que haviam restado para Taiwan, para que não caíssem nas mãos dos comunistas. Bronzes, joias, pinturas, esculturas de jade, cerâmicas, escrituras e livros raros foram parar em Taipé. São quase oito mil anos de História, que fazem da visita ao museu um passeio inesquecível.

Não é fácil se aproximar das obras mais famosas, como um vaso de jade esculpido em forma de repolho (em inglês, "Jadeite cabbage", símbolo de prosperidade e fertilidade), porque os grupos de turistas formam barreiras humanas em torno delas. Mas, com um pouco de paciência, chega-se lá. As galerias reservadas para as cerâmicas são menos concorridas. Dá para esquecer da vida ali, admirando peças que representam todas as dinastias. Será impossível, contudo, ver tudo em um único dia: são mais de 25 mil objetos.

O museu passou por uma reforma de dez anos e US$ 21 milhões, e foi reaberto no final de 2006. O prédio é cercado de jardins bucólicos e sua casa de chá, no último andar, é surpreendentemente autêntica para um lugar voltado para estrangeiros. A seleção de chás é interminável. Quem não quiser errar, pode apostar no mais popular, um produto tipicamente made in Taiwan: o Bubble Tea, um chá bem doce, preparado com leite e bolinhas de tapioca.

Para se recuperar das andanças pelo museu — e dos inevitáveis empurrões para conseguir vislumbrar nem que seja uma pontinha dos tesouros mais valiosos — Taiwan oferece uma atração que herdou dos colonizadores japoneses: o hábito de frequentar onsens, os banhos de águas vulcânicas. Escaldantes, relaxantes e terapêuticas, as piscinas naturais mais procuradas ficam na região montanhosa de Beitou, uma viagem que dura apenas meia hora de trem a partir de Taipé. Muita gente foge da selva urbana por apenas um dia, mergulhando nas águas sulfúricas que prometem curar qualquer tipo de dor, no corpo ou na alma. Vários hotéis têm quartos ao estilo japonês, com futon e tatame, ou ocidental, com a cama nossa de todo dia. Há uma diferença fundamental em relação aos onsens japoneses, onde homens e mulheres não se misturam, porque a ordem é mergulhar sem roupa. Em Taiwan, as piscinas naturais devem ser frequentadas por banhistas devidamente vestidos.

Ilha mais perto do continente

Taiwan, ou Ilha de Formosa, como foi conhecida durante muitos anos pelo Ocidente, fez parte do império japonês de 1895 até o fim da Segunda Guerra Mundial, quando voltou ao controle chinês. Quando os homens comandados por Mao Tsé-Tung derrotaram o exército nacionalista em 1949, o general Chiang Kai-shek fundou em Taiwan o que considerava ser o regime chinês no exílio, dando à ilha o nome oficial de República da China. O Partido Comunista, no poder há seis décadas em Pequim, considera Taiwan parte do seu território e reinvindica a reunificação.

As diferenças entre o continente comunista e a ilha capitalista fizeram do Estreito de Taiwan uma região sob tensão, que até o final da década de 1970 permanecia em estado de guerra. Unidos pelas mesmas raízes e cultura, os dois povos foram se afastando politicamente e ideologicamente ao longo dos anos. Quando a China nem sonhava em ser a potência econômica em que se transformou, Taiwan já integrava o time dos tigres asiáticos, afastando o fantasma da pobreza com uma economia baseada em exportações.

A democracia na ilha, no entanto, é recente. A ditadura de um partido único (nacionalista) só terminou em 1996, quando os taiwaneses puderam eleger o seu primeiro presidente livremente. A abertura econômica na China tornou a aproximação inevitável, reduzindo as ameaças militares, embora as boas relações comerciais de hoje não tenham resolvido a questão da independência de Taiwan.

O atual presidente Ma Ying-jeou — um político pró-China, que tem o amplo apoio do empresariado local — foi reeleito em janeiro deste ano para um segundo mandato. Seu governo vem promovendo a aproximação entre Taipé e Pequim, com acordos comerciais que incluíram o restabelecimento das comunicações e dos meios de transportes entre os dois lados. Em 2011, os turistas chineses gastaram em Taiwan uma fortuna estimada em US$ 3 bilhões.

ONDE FICAR

Grand Hyatt Taipei: Ao lado da torre Taipei 101. 2 SongShou Road. Tel. 886 2 2720 1234. Diária para casal por US$ 267. taipei.grand.hyatt.com

Regent Taipei: Localizado no centro financeiro, ao lado da principal estação de trem (Taipei Station) e da estação de metrô de Zhong Shan. 41 Chung Shan Road. Tel. 886 2 2523 8000. Diária para casal por US$ 315. regenthotels.com

W Taipei: No bairro de Xinyl, onde ficam as lojas mais badaladas e a vida noturna da cidade. 10 Zhongxiao East Road. Tel. 886 2 7703 8888. Diária para casal por US$ 303. wtaipei.com

PASSEIOS

Din Tai Fung: Serve o dim sum mais famoso de Taiwan. Há vários restaurantes da rede em Taipé. Os endereços estão em dintaifung.com.tw.

Keelung Temple: As barracas do mercado de rua noturno se espalham ao redor do Templo de Dianji.

Shihlin: Um dos maiores mercados de Taipé, criado em 1899. Vende acessórios e roupas e é ponto de encontro de adolescentes. Huasi Street, perto do Templo de Longshan.

National Palace Museum: Aberto diariamente das 9h às 17h. 221, sec. 2, Zhishan Road. npm.gov.tw