Toledo

Passeios
Toledo tem muita coisa para mostrar ao visitante. Merece carinho e um bom guia na mão, para que os detalhes não sejam perdidos. Os moradores têm a história de cada local na ponta da língua. A história dos monumentos e dos prédios é contada com tamanha emoção que a impressão que se passa para o visitantes é que estão falando sobre o assunto pela primeira vez.

  O recomendável para quem vai a Toledo é fazer um trajeto global. Primeiro, deve-se procurar pelas coisas maiores, mais importantes. Se o tempo tiver sobrando, deve-se partir para as particularidades.

  Por isso, o primeiro destino deve ser a Catedral Primaz de Toledo, de 1226, a primeira construída na Espanha e uma das maiores do mundo cristão. Ela reune diversos estilos, coloridos vitrais e um acervo de obras de arte e de jóias incomparável. Ali também há, na sacristia, um pequeno museu, onde estão obras de El Greco e Goya, entre outros.

  Na própria catedral, é impossível não se emocionar com a sala do tesouro, onde está a custódia, uma das jóias mais ricas do cristianismo. Ela é trabalhada em ouro, prata e pedras preciosas e percorre todos os anos as ruas estreitas de Toledo na procissão de Corpus Christi, no mês de junho. A peça mede 2,5m de altura e pesa quase 200kg.

  O próximo passo é visitar as sinagogas de Santa Maria la Blanca e a del Transito, obras dos sefaradi, os judeus da Península Ibérica, expulsos no final do século 15, durante a Inquisição. São dois conjuntos importantes e bem conservados da Idade Média.
  O prédio mais impressionante de Toledo, e que domina toda a paisagem, porém, é o Alcazar, instalado no alto da montanha. Conta a história que ali aconteceu de tudo. O prédio viveu uma fase em que era um tribunal romano. Depois chegou a ser uma prisão e, logo a seguir, se transformou em palácio real.

  Destruído, recuperado, incendiado, novamente restaurado, o alcazar resistiu a séculos de batalhas. A última delas, a Guerra Civil Espanhola, transformou-o num monumento ao nacionalismo do generalíssimo Franco.

  Por fim, o turista pode conhecer mais duas igrejas interessantes. A primeira delas é a de Santo Tomé, onde está um tesouro escondido em uma pequena capela: uma das obras mais conhecidas, importantes e impressionantes do pintor El Greco: El Entierro del Seíor de Orgaz.

  A obra foi pintada por encomenda, para a capela funerária de Don Gonzalo Ruiz de Toledo, o conde de Orgaz, um nobre conhecido por sua dedicação e patrocínio a instituições religiosas.

  Na pintura, o autor aparece na cena — na verdade, é o único personagem que olha fixamente para quem aprecia o quadro. E, como se estivesse fazendo troça de todos, espalma uma das mãos, com os dedos meio abertos, em um gesto que se repete em outras telas que levam sua assinatura.

  A outra igreja recomendada é a de San Juan de los Reyes, construída para comemorar a vitória dos reis católicos Ysabel e Fernando sobre os mouros. Nos pilares que dão acesso ao altar principal, estão as tribunas reais, onde ainda se vêem as inscrições das iniciais do casal (F e Y).
 
El Greco
El Greco é um personagem especial de Toledo. É impossível não se deliciar com a obra deste grande pintor, que chegou à cidade em 1577 e fez ali a sua morada criativa. O nome de batismo do artista era Domenikos Theotokopoulos. Nascido na ilha de Creta, foi como El Greco que ele passou para a história mundial das artes.

 É na cidade que estão as obras mais significativas do pintor, morto em 1614, na Espanha, sempre dizia que a cidade abriu os horizontes que precisava para colocar o seu pincel e a sua imaginação em funcionamento.

  A sua obra é atormentada, mágica e misteriosa. Os seus quadros mostram a identificação perfeita entre a cidade e o homem, entre a paisagem e a visão de uma figura genial. E retratam também o ambiente religioso e místico da época.

Serviço
Informações no Brasil: Escritório Espanhol de Turismo — Rua Zequinha de Abreu, 78. CEP: 01250-050 — São Paulo-SP. Telefone (11) 3675-2000 e 3865-5999. Internet: www.tourspain.es

Dicas

  Toledo oferece atrações irresistíveis aos turistas. O seu artesanato, por exemplo, é fantástico e inclui uma habilidade histórica vinda dos povos que freqüentaram a região. Brincos, pingentes, pulseiras, caixas de música, porta-retratos e mil e uma outras peças atraem o espírito consumista do turista. É impossível não se deter e levar alguma espécie de lembrança para casa.

  Logo na entrada da cidade, existe uma espécie de cooperativa de artesãos e artistas, habilidosos na atividade de preparar as damasquinadas — as famosas peças da cidade com incrustrações em ouro de 22 quilates ou em prata. Os preços são razoáveis.

  Mas em toda a cidade existem dezenas de lojinhas espalhadas por vielas e labirintos, vendendo produtos variados e interessantes. Além dessas obras, são imperdíveis as peças de cerâmica e azulejos, os mesmos usados pelos toledanos para denominar ruas e praças, enumerar as casas e escrever nas paredes das residências o nome de seus proprietários.

Fonte: correio brasiliense